Lifeline

isaiah-scroll.l

O mar estava calmo, com pequenas ondas de espuma que tocavam a areia com uma delicadeza de uma noite em pleno verão.

A praia estava vazia, como se à espera que algo a preenchesse. O grasnar das gaivotas davam a entender que o tempo ia ter que lutar para se manter assim. O penhasco limitava a entrada Sul da praia, era um maciço de pedra com mais de duzentos metros de altura, com um pequeno caminho sinuoso, que serpenteava na escarpa do penhasco. Um grande pontão delineava a zona Oeste da praia, construído pelo tempo, pela erosão e pela força do mar, estendia-se a quinhentos metros de terra cortando as ondas com a precisão de um machado imponente, intransponível. A Este a praia estendia-se por uns longos quilómetros até a primeira povoação costeira.

Era a terceira vez que os sonhos me impediam de dormir, e que me levavam até esta praia. Em todas as versões do sonho era um dia calmo, sem nuvens, sem ondas, perfeito para navegar em águas baixas. O horizonte brotava pequenas gotas vermelhas, que contaminam o oceano, enquanto se dirigem para a praia. As gotas tornaram-se mais visíveis, a evidência era clara, os sonhos eram claros, a certeza de que não era novamente o mesmo sonho terminou no momento em que o ruído do mar deixou de se ouvir. O barulho de vozes que entoavam ritmicamente ordens de remada substituiu o som monocórdico do mar.

As gaivotas grasnavam com esta nova ameaça ao seu sossego, as parcas nuvens que agora se viam no céu, pareciam ter-se formado ao ritmo imposto pelos remadores. O horizonte era agora uma linha irrelevante face às centenas de pequenos barcos que se aproximavam da praia.

Um som profundo distinguia-se, o calor parecia ter também aumentado, aos poucos apercebi-me que gotas de suor pingavam pelas costas, e que no meu peito pareciam estar alojados uma dezena daqueles remadores, tal era a força com que a adrenalina se infiltrava no meu coração.

Esta sensação não era nova, no entanto, esta situação era única. Foram precisos alguns segundos para me aperceber que o primeiro barco tocava agora a areia, e que em breve centenas, se não milhares, de guerreiros estariam apenas a alguns quilómetros de Saiune.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

w

Connecting to %s