1890 – hARPA

Mail-128

A azafama do dia já ia bem avançada, retirei o relogio de bolso e os ponteiros indicavam 10:34, apertei o pequeno botão lateral e com leve movimento dei corda ao mecanismo.

Ajeitei o chapéu, o sobretudo e usando a bengala como compasso iniciei o percurso para o edificio da hARPA, carroças, animais, pessoas, era a confusão da cidade. Apesar de tudo era ainda um luxo possuir um veiculo motorizado da hARPA, e estava apenas permitido aos CEO’s da empresa.

As ruas estavam cada vez mais sujas, a migração do interior para a orla costeira e para as cidades era uma realidade que se tornava obsessiva. Os mendigos acumulavam ao pé das docas, das construções, perto de onde pudesse haver vagas para um trabalho que fornecesse o dinheiro para a comida do dia.

Tinha tornado como habito uma ida matinal até ao Café Central, pedir um café expresso e o jornal do dia, apenas porque me parecia algo que alguem normal faria. Os dias a passar e aos poucos juntei a este, até saboroso, hábito a companhia de um desses novos mendigos, perdidos no tempo, e nas oportunidades de vida. O seu nome era Cassio, vinha de Itália, ainda não sabia bem como mas, era um poeta, um filosofo, um artista por assim dizer, perguntei-lhe como é que ele vivia e ele respondia-me com um enfase poetico “Vivo da chuva, alimento-me com a felicidade dos outros, trabalho o corpo e mente todos os dias, mas acima de tudo não desisto.”

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