Lifeline_2

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(…) A aldeia de Saiune não é mais que um pequeno aglomerado de quintas, pescadores, caçadores e antigos marinheiros, presos no tempo, ou simplesmente à espera que o tempo viesse até eles.

O que fazia de Saiune uma aldeia eram os edifícios centrais que unificavam estas famílias, ou estes lobos solitários. Um desses edifícios construído em madeira escura pintado de um leve verde tinha as janelas altas e espaçadas, os dois andares faziam-no ser um edifício imponente. Mestre Flavian era um estalajadeiro de grandes proporções, levava a cabo a sua missão de entreter os que restavam muito a peito, e recebia todos os forasteiros com um sorriso e uma exagerada vénia. Um grande celeiro dava apoio à estalagem do Porco Saltimbanco servindo como armazém e como estabulo, nesta altura apenas um cavalo se encontrava no estábulo, era branco encorpado mas ainda bastante jovem, o nome dele era Mancha .

O outro edifício, o Concelho, era um antigo armazém de peixe, transformado num polido e massivo edifício, tinha dois andares e umas águas furtadas onde uma pequena torre de cor grená sobressaia, assim como um grande sino de bronze, que se tocava quando havia reuniões de concelho. Sir Frederik, antigo escudeiro da guarda da Rainha, era o regente de Saiune, era o responsável por todas as famílias e quintas da zona. O seu cabelo grisalho não deixava escapar que a sua idade já era bem avançada, mas não era suficiente para que estas pessoas perdessem qualquer respeito pela sua pessoa, afinal ele tinha pertencido á Guarda da Rainha.

As reuniões de concelho eram um misto de teatro com debate, dependendo das histórias que os forasteiros contavam quando passavam pela aldeia.

O mercado de Saiune era outro local que representava a verdadeira aldeia. Neste local que os pescadores vendiam o seu peixe fresco, que os caçadores apresentavam toda a sua perícia nas diversas espécies caçadas nos arredores e que os agricultores trocavam o suor do seu trabalho por bens materiais para a sobrevivência das suas colheitas.

Havia muito mais para contar sobre Saiune, mas as pernas moviam-se à velocidade de um tufão enfurecido que não vê obstáculos. A aldeia é muito mais que umas casas perdidas, que edifício sem significados, o espírito das pessoas está impregnado com vontade, com espírito, com sacrifício, com fé. O meu raciocínio estava lentamente a perder o controlo lutando contra o esforço que era correr pela encosta acima. Queria parar e respirar, queria parar e beber todo o conteúdo do meu odre de água, queria acordar deste sonho, ou pelo menos acreditar que era um sonho.

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