Lifeline_7

isaiah-scroll.l

Runngar

A encosta era bastante íngreme, com algumas rochas e buracos lamacentos pelo meio. Era um desafio interessante, embora perigoso. Krish estava ao meu lado, ansioso pela partida, tal como eu.

Sempre fui mais atlético que Krish desde que Sir Frederik me acolheu para ser o seu escudeiro. Tratei da sua montada “Mancha” um cavalo bastante inteligente e cheio de personalidade, limpei os estábulos, empilhei caixotes, arrumei a sala de reuniões, entre muitas outras tarefas que me eram delegadas. Para no fim, sempre que possível ter a hipótese de treinar com Sir Frederik. Desde então considerava-me bastante bom no manuseamento da espada, as minhas capacidades atléticas estavam cada vez melhor. Mas no entanto, Krish era um ás com a vara, apesar da sua débil figura, franzino com os cabelos esgadelhados, e a sua roupa alaranjada.

Era sempre um desafio, apostar com Krish em algo que pudesse enaltecer a minha força e agilidade. “Estas pronto, Runngar?” – gritou Krish, anui com a cabeça e com um sorriso concentrado, “1, 2, e 3…” e começamos a correr em direção á encosta, não parei um segundo para pensar no caminho que iria fazer para descer a escarpa, comecei a saltar de pedra em pedra com Krish no meu encalso, a paisagem era simplesmente assustadora. Num breve segundo cheguei a plataforma, coloquei-me de barriga e devagar deixei-me escorregar, senti a força dos meus braços a falhar mas tinha que aguentar ate conseguir sentir o solo novamente, olhei para baixo entre os meus braços esticados, era um salto de pouco mais de meio metro mas se me desequilibrasse teria que me desenterrar da areia da praia. Sem pensar mais, e também porque já não me conseguia aguentar, deixei-me deslizar, consciente que tinha que me encostar imediatamente a parede da rocha. Senti um fluxo de adrenalina a chegar á cabeça, a queda demorou eternidades, toquei com os pes no chão e ja não pensava em nada, totalmente absorto com o coração aos saltos, após me encostar á parede.

Barcos, barcos, muitos barcos, quase automaticamente falhou-me uma golfada de ar, tossi até sentir os pulmões cheios novamente. Sinto uma mão a puxar-me do meu desequilibrio fatal. “Estas bem? Concentra-te! Um passo em falso e é morte certa!” Apontei para o horizonte, “Isto não é nada bom… temos que voltar depressa e avisar a aldeia… Aliás… Tu tens que voltar… Só hà duas maneiras de sair daqui, uma delas está fora de questão, descer para a praia. A outra é voltar por onde viermos, e tu não tens força para me levantar nem me puxar. Eu elevo-te e tu corres como nunca correste…” – olhei novamente os barcos que se aproximavam da costa, os barcos ao longe assemelhavam-se a espadas de dois gumes a cortar as ondas como se fossem manteiga.

“Mas, e tu? Não conseguirás sair daqui…”

“Isso agora não interessa, pensa na tua irmã pequena… não estará viva se continuares a questionar-me… vai… avisa os outros, avisa Sir Frederick, encontramo-nos no Bosque Escuro, no sitio do costume.” Krish virou-se de modo a agarrar a borda do precipício, com um pouco de apoio, subiu num instante, olhou uma última vez para baixo, gritei “Corre!”.

Fiquei a olhar a chegada dos barcos, não eram poucos. Os barcos eram pequenos, rapidos, cada um deveria ter vinte soldados. Cada soldado tinha o que parecia ser uma cota de malha, sob uma túnica vermelha, espadas á cintura e o que parecia ser uma alabarda. A organização deste exército era imensa, o que implicava uma disciplina e rigor de treino muito grande, à medida que os barcos atracaram, quatro elementos saiam dos barcos e puxavam o barco para a margem, enquanto os soldados largavam os remos e pegavam nas alabardas. Assim que o barco tocava a areia, os soldados saltavam e alinhavam-se á frente do barco, um deles colocava uma bandeira na areia após se organizarem.

Ao fundo um barco maior ondulava sem avançar, provavelmente um posto de comando do exército. Um barco pequeno foi descido através de uns mecanismos que não conseguia perceber. Após chegar á margem, vários homens vestidos de negro desembarcaram, estes não tinham alabardas, aliás, não consegui entender se tinham qualquer tipo de arma, mas no entanto, pareciam ser muito importantes.

A minha curiosidade aumentava, e só havia uma solução agora, descer até á praia, saber mais sobre este exército, e fugir sem ser visto. Parecia um plano simples mas não menos complexo.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s